(Günter Weimer, um breve relato do processo de modernização da arquitetura no Brasil até Brasília).
O processo de modernização das concepções arquitetônicas foi longo e suas manifestações mais remotas podem ser encontradas nos períodos de intensa industrialização que seguiu a I Guerra. A interrupção do comércio internacional provocou uma grande demanda de produtos industrializados, que serviu de alavanca para um maciço investimento na produção fabril. Com isso, o processo industrial, cujos primeiros empreendimentos remontam aos fins do século passado na periferia da capital federal, passou a ser incentivado intensivamente pelo país afora. Como esse processo se desenvolveu numa época de crise, os recursos tiveram de ser racionalizados e sua limitação levou a que a arquitetura das instalações fabris assumisse um caráter quase marginal, razão pela qual não conseguiram lugar de destaque nas passarelas dos tratados acadêmicos. No entanto, foram essas obras que serviram de laboratório para a nova linguagem. As primeiras investigações a esse respeito estão a demonstrar que algumas destas fábricas em nada ficam a dever a realizações semelhantes e produtos dos grandes escritórios europeus da época.
A crise internacional de 1929/30 criou as condições para deflagrar um golpe politico de caráter modernizante, que se caracterizou por ter deslocado os centros de poder das elites rurais para o empresariado urbano. A dureza dessas confrontações foi de ordem a engendrar um progressivo endurecimento do poder, que encontrou sua justificativa ideológica na ”filosofia de estado” dos regimes totalitários europeus.
Em termos de arquitetura, isto significou uma transitória adesão ao modernismo geometrizante no entorno da crise de 1930, que logo foi substituída pela opção por uma arquitetura monumentalista, bem a feição da praticada nos países totalitários. Condições muito especiais de antagonismos entre facções que compartilhavam o poder permitiam que surgisse uma corrente que conseguiu conciliar o monumentalismo propugnado pela ditadura com as conquistas do modernismo europeu da década de 1920. Diversas experiências neste sentido conseguiram muito sucesso, em razão do que esta linguagem foi oficializada com a realização do prédio do Ministério de Educação e Saúde, quando passou a ser propagado o mito de que a nova linguagem fosse uma espécie de marca registrada e exclusiva dos arquitetos ligados ao centro de poder. O arquiteto Oscar Niemeyer acabou por ser entronado como uma espécie de ditador da nova tendência.
A grande divulgação que a arquitetura recebeu a partir de então foi devido ao fato de que os políticos descobriram o seu grande potencial simbólico, do qual passaram a se servir como instrumento de divulgação de suas plataformas políticas. Foi nessa trajetória que se estruturou a carreira política de Juscelino Kubitschek, que conseguiu invulgar projeção através de seu apoio a Niemeyer (no projeto da Pampulha enquanto prefeito, no Conjunto Kubitschek enquanto governador e com Brasília enquanto presidente).
GIO